UMA BANANA QUE MUDOU A HISTÓRIA DO ROCK

SERGIO C. ANDRADE

O álbum The Velvet Underground & Nico só viu a luz do dia em Março de 1967, mas foi gravado numa escassa semana entre 16 e 23 de Abril do ano anterior, num estúdio de Nova Iorque, e algumas das suas canções foram posteriormente registadas em Maio, em Los Angeles.

É esta data – passam agora 50 anos – que a nova Filarmonia de Paris utiliza como pretexto para a exposição-acontecimento The Velvet Underground – New York Extravaganza, que entre esta quarta-feira, 30 de Março, e o próximo dia 21 de Agosto vai decorrer no edifício projectado pelo arquitecto Jean Nouvel, inaugurado há pouco mais de um ano no parque de La Villette, junto à Cité de la Musique.

“Uma exposição imersiva, impressionista e multimédia” é como a Filarmonia de Paris apresenta esta iniciativa que revisita a história da banda formada por Lou Reed, John Cale, Sterling Morrison, Maureen Tucker e Nico, que, apesar de ter resistido apenas meia dúzia de anos (1965-1970), revolucionou a história da música popular ao mesmo tempo que marcou uma nova relação desta com as artes, a literatura, o cinema, a moda e a cultura popular em geral.

The Velvet Underground – New York Extravaganza, comissariada por Christian Fevret e Carole Mirabello, desenvolve-se ao longo de seis momentos – entre os capítulos Bem-vindo à América: Cultura e contra-cultura e Ecos e heranças –, através de documentos, discos, fotografias, revistas, cartazes, textos e objectos raros da memorabilia associada aos VU. Entres estes estão os estudos que Andy Warhol fez para capa do “disco da banana” que se tornaria mítica, a “embrulhar” canções que se tornaram também “hinos” da história do rock, como Sunday morning, I’m waiting for the man, ouHeroin

A exposição inclui também uma selecção de filmes, desde títulos históricos do cinema underground assinados pela figura tutelar da banda, Andy Warhol, mas também por Jonas Mekas, Barbara Rubin, Jonathan Caouette ou Allan Rothschild, até produções actuais feitas expressamente para a mostra. Tem igualmente uma galeria com obras de artistas contemporâneos a revisitar o imaginário VU, entre os quais se encontra o português João Louro, ao lado de Nan Goldin, Douglas Gordon e Gus Van Sant.

E haverá ainda, ao longo dos próximos meses, um ciclo de concertos que abre já a 3 de Abril com a presença de John Cale, o músico avant-garde que foi uma espécie de “falso irmão gémeo” de Lou Reed, com quem se encontrou, pela primeira vez, em Dezembro de 1964. Começava então uma aventura que haveria de terminar, na sua fase mais criativa, em 1970, quando Reed, poeta rock de trato difícil, anunciou que iria abandonar a banda, antes da saída do seu quarto álbum, Loaded.

O resto da história é conhecido: os quatro discos até então editados passaram algo desapercebidos na cena rock norte-americana. Mas o tempo haveria de fazer deles – e do inicial The Velvet Underground & Nico, em particular – um dos percursos mais inovadores e fascinantes da história da música popular, como depois nos lembraram figuras como David Bowie, Kurt Cobain ou mesmo o francês Étienne Daho

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