nota Charles Gavin participa de iniciativa que resgata raridades em vinil

Charles Gavin, ex-baterista dos Titãs, tempo vem desenvolvendo há um bom um importante trabalho de recuperar e preparar o lançamento de inúmeras preciosidades fonográficas da música brasileira, tanto em CD como em vinil. Agora, ao lado do cantor Ed Motta e do jornalista Maurício Valladares, ele é um dos curadores do Projeto Vinil, uma coleção de LPs que a Sony Music acabou de colocar nas lojas.

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No catálogo da primeira leva estão relançamentos de nomes como Arnoldo Medeiros (O Homem, O Poeta, 1975); Banda Black Rio (Gafieira Universal, 1978); Cartola (Verde que Te Quero Rosa, 1977); César Camargo Mariano (São Paulo – Brasil, 1977); Pepeu Gomes (Geração do Som, 1978); Alaíde Costa (Jóia Moderna, 1961); Waltel Branco (Meu Balanço, 1975); Johnny Alf (Diagonal, 1964) e Wilson Simonal (Ninguém Proíbe o Amor, 1975). Alguns destes títulos são raridades impossíveis de serem encontradas e que valem uma fortuna nos sebos e sites de leilão. Este resgate é importante, já que chega justamente em um instante em que o vinil se faz presente novamente na vida das pessoas. A nova geração está particularmente interessada em um tipo de música que tem balanço e groove e muitos destes títulos vão nessa direção musical e estética.

“Foi um trabalho que levou dois anos para ser concluído”, conta Gavin. “A Sony nos convidou para que fizéssemos a seleção de títulos e eu perguntei se tudo sairia nos três formatos, que são o download, o CD e o vinil. O pessoal da gravadora respondeu seria apenas para vinil. Eles querem trabalhar o vinil agora por causa deste boom dos últimos tempos.” Gavin conta que ele, Motta e Valladares escolheram cem discos do catálogo da Sony, que engloba antigas gravadoras como a RCA e a CBS. Depois, os produtores da empresa fizeram a triagem. “Espero que este seja o começo da coleção”, ele diz com fé de que logo disponibilizem mais. “Nos disseram que foi o que deu para ficar pronto agora.” Segundo Gavin, ele indicou também discos muitos procurados como o do pioneiro do groove Don Salvador e o do baterista da bossa nova Edison Machado. E espera que em breve eles também cheguem às lojas. O ex-titã diz que a crise realmente deu brecada nos projetos especiais das gravadoras, mas reforça que é preciso dar uma cutucada no mercado para que o resgate de material raro, obscuro e esquecido seja realizado novamente.

O músico garante que a qualidade desta fornada de doze polegadas novos em folha é de primeira: “Eu gostei do resultado. O cuidado foi grande. Essa prensagem, que foi feita com cuidado pela Polysom, é melhor do que a original. Até os anos 1980, não existia no Brasil o conceito da masterização do som. A prensagem feita aqui era muito ruim”, ele esclarece. Gavin lembra que antigamente tudo era feito meio no improviso. “O responsável pela produção do vinil chegava com a fita e o engenheiro apenas dava uma acertada”, ele fala. O artista tem conhecimento de causa, já que na década de 1980, quando estava nos Titãs, acompanhou a evolução qualitativa do processo de gravação feito no Brasil. “Produtores como Liminha e o (Marcos) Mazzola nos fizeram avançar. Eles eram muito ligados à qualidade.” O músico também diz que quando os Titãs lançaram Jesus Não tem Dentes no País dos Banguelas (1987) houve toda uma preocupação. “Este foi um disco muito bem gravado. Depois, fomos para a Inglaterra cuidar de todo o processo de masterização. Essa foi a grande diferença. O pessoal aqui aprendia errando.”

Gavin diz que é entusiasta de todos os formatos, mas, naturalmente, é de opinião de que o velho bolachão tem charme e apelo únicos.
“Em primeiro lugar, é claro que existe uma grande diferença entre o som analógico e o digital”, aponta. Gavin também acha que o vinil não “voltou”; ele sempre esteve por aí. É que agora está novamente recebendo uma atenção especial. “Tem gente que acha que relançar LP é ‘gourmetizar’ a música. Não acho”, ele retruca. “O vinil é um formato que resistiu bem durante todas essas décadas. Ele sobreviveu à revolução digital, é bom para ser ouvido inteiro, ao contrário de outros formatos, em que você muitas vezes ouve uma ou outra música”, finaliza.

por Paulo Cavalcanti

fonte: http://rollingstone.uol.com.br

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